Iniciativa percorreu comunidades das quatro zonas da capital, promovendo atividades artísticas, valorizando a memória coletiva e ampliando o debate sobre os becos como espaços de identidade e produção cultural.

O Projeto Vida de Rato concluiu, no último sábado (1º), o III Ciclo de Oficinas Formativas nas Comunidades, após levar atividades culturais a bairros das zonas Norte, Sul, Leste e Oeste de Manaus. A iniciativa busca ampliar o reconhecimento dos becos da capital amazonense como patrimônio cultural imaterial, destacando esses espaços como locais de memória, convivência, educação e expressão artística.

Idealizado pelo pesquisador, artista e arte-educador Vitor de Lima Gonçalves (Vitor Lima), o projeto é desenvolvido pelo Laboratório de Experimentos BECO e reúne mais de 13 anos de experiências do Allegriah Grupo de Arte e Cultura em comunidades periféricas da cidade. A proposta é ressignificar a percepção sobre os becos, valorizando-os não apenas como espaços urbanos, mas também como territórios de construção de histórias, pertencimento e resistência cultural.

Ao longo do ciclo, moradores participaram de oficinas e apresentações artísticas adaptadas à realidade de cada comunidade. Na Compensa, a programação reuniu atividades de Rip-Rap, teatro e dramaturgia. Em Santa Etelvina, os participantes vivenciaram oficinas de expressão corporal e uma passeata musical pelas ruas do bairro. Já no Tancredo Neves III, as ações foram voltadas à musicalidade e à criatividade dos moradores. O encerramento, realizado em Petrópolis, contou com oficinas, apresentações de Teatro Lambe-Lambe e show da banda Freebase.

Além da formação artística, o projeto transformou os encontros em espaços de escuta e pesquisa comunitária. As histórias, lembranças e experiências compartilhadas pelos participantes passaram a integrar uma cartografia afetiva dos becos de Manaus, contribuindo para o registro da memória e da identidade desses territórios.

De acordo com Vitor Lima, a proposta vai além da realização de atividades culturais e busca reconhecer os becos como ambientes de produção de conhecimento.

“Quando ocupamos um beco com teatro, música, literatura ou performance, não estamos apenas realizando uma atividade cultural. Estamos produzindo conhecimento junto com a comunidade e mostrando que esses territórios também preservam memória e constroem cultura”, destacou o coordenador do projeto.

A iniciativa também reuniu instituições de ensino, coletivos culturais e organizações parceiras, entre elas a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Federação de Teatro do Amazonas (FETAM), a Casa Tauá-Caá, a Casa Coletiva e a concessionária Águas de Manaus, fortalecendo a rede de apoio às ações culturais desenvolvidas nas comunidades.

Próxima etapa será voltada ao ambiente acadêmico

Com o encerramento das oficinas nas comunidades, o Projeto Vida de Rato inicia uma nova fase dedicada à formação acadêmica. O II Ciclo – Formação Acadêmica será realizado no dia 11 de agosto, às 16h30, na Escola Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), dando continuidade às discussões sobre patrimônio cultural, arte, memória e cidade.

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