Presidente da entidade confirma arquivamento do projeto após críticas internas e ameaça de boicote liderada pela Uefa; plano previa abertura para investidores privados nos negócios das competições da Fifa.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou que não dará continuidade ao projeto que previa a abertura de participação de investidores privados em seus ativos comerciais, incluindo a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A decisão foi confirmada pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, após uma forte reação de dirigentes, federações nacionais e confederações continentais, que consideraram a proposta incompatível com os interesses do futebol mundial.
O plano previa a criação de uma subsidiária responsável pelos negócios comerciais da Fifa, avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões, com a possibilidade de até 20% do capital ser adquirido por investidores privados. Entre os potenciais interessados estava uma empresa de investimentos sediada em Nova York, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (31), Infantino afirmou que a proposta foi retirada após ouvir diferentes setores ligados ao futebol.
“Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto gerou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio recebido, ele já não atende ao objetivo estabelecido inicialmente”, declarou o presidente da Fifa.
Críticas internas e renúncia
A proposta também provocou insatisfação dentro da própria Fifa. Um dos principais nomes a se posicionar foi Carlos Cordeiro, representante da entidade na força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, que pediu demissão do cargo de assessor da presidência em protesto.
Segundo Cordeiro, a venda de participação na principal competição do futebol mundial comprometeria o papel institucional da Fifa como gestora do esporte.
Outro dirigente que criticou o projeto foi o diretor de operações da entidade, Kevin Lamour. Ele afirmou que os funcionários foram surpreendidos pela falta de transparência na elaboração da proposta e declarou que estava disposto a assumir as consequências por se posicionar publicamente.
Uefa liderou reação
A maior resistência veio da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), que anunciou a possibilidade de boicotar competições organizadas pela Fifa caso a proposta fosse levada adiante.
Em nota, a entidade europeia afirmou que a iniciativa representava uma falha grave de liderança e uma renúncia ao compromisso da Fifa de proteger o futebol mundial.
Após a manifestação da Uefa, outras confederações também demonstraram oposição, entre elas a Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC).
Próximos passos
Com o arquivamento da proposta, Gianni Infantino afirmou que pretende retomar o diálogo com dirigentes e representantes das federações para buscar alternativas voltadas ao desenvolvimento do futebol.
Segundo o presidente da Fifa, a prioridade será fortalecer projetos que ampliem investimentos na modalidade, especialmente em países que necessitam de maior apoio para o crescimento da prática esportiva.
