Após três dias de operação, Corpo de Bombeiros elimina emissão do gás; comitê técnico libera retorno de indústrias, escolas estaduais e serviços públicos enquanto monitoramento ambiental continua.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que conseguiu conter o vazamento de gás estireno registrado em uma indústria do Distrito Industrial de Manaus. Com a eliminação da emissão do produto, um comitê formado por órgãos estaduais, Defesa Civil, Suframa e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM) autorizou a retomada das atividades nas indústrias, escolas estaduais e serviços públicos a partir desta segunda-feira (20). Apesar da liberação, a área continuará sendo monitorada pelas autoridades.
Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, as medições realizadas indicaram emissão zero de estireno tanto na área isolada quanto no entorno da empresa. Mesmo com o controle da ocorrência, equipes dos Bombeiros permanecerão na fábrica realizando o resfriamento do tanque danificado, procedimento que poderá se estender por meses até a retirada completa e segura do produto químico.
Desde o início da ocorrência, registrada na última quarta-feira (16), militares do Corpo de Bombeiros atuaram de forma ininterrupta nas operações de resfriamento, sucção do material e contenção do vazamento. Durante a ação, a Polícia Militar manteve isolado um raio de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa como medida preventiva.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que acompanhou todas as etapas da operação ao lado dos Bombeiros e contou com apoio técnico do Crea-AM. De acordo com o órgão, inspeções realizadas com drones equipados com câmeras térmicas e avaliações estruturais não identificaram fissuras ou rachaduras no tanque, apenas deformações que não comprometem sua estabilidade.
Mesmo com a normalização da situação, o Ipaam seguirá fiscalizando a empresa. Entre as medidas previstas estão o monitoramento contínuo da qualidade do ar, análises de efluentes, fiscalização da destinação dos resíduos remanescentes e verificação do cumprimento das exigências da Licença de Operação da indústria. Caso novas irregularidades sejam constatadas, outras sanções administrativas poderão ser aplicadas.
Na sexta-feira (18), o instituto ambiental já havia autuado a empresa em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental, em razão da poluição atmosférica provocada pelo incidente.
O secretário estadual de Saúde, Luís Alberto Saraiva, afirmou que as avaliações realizadas pelas equipes técnicas indicam que não há mais risco para a população em decorrência da emissão do estireno. Ainda assim, o monitoramento da rede de saúde continuará sendo realizado diariamente.
Desde o acidente, a rede estadual contabilizou 552 atendimentos de pessoas com sintomas compatíveis com exposição ao produto químico. Apenas um paciente permanece internado. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) orienta que pessoas com sintomas como irritação nos olhos, dificuldade para respirar, náuseas ou tontura procurem imediatamente uma unidade de saúde ou acionem o Samu pelo telefone 192.
As autoridades também acompanham a investigação de duas mortes registradas durante o período da ocorrência. Um homem de 60 anos morreu após ser atendido em um hospital da rede privada, e o caso será analisado pela comissão de verificação de óbitos da unidade, com acompanhamento da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP). Outro paciente, de 67 anos, atendido na rede estadual, também morreu, mas, segundo a SES-AM, não foi constatada relação direta entre o óbito e a exposição ao estireno, já que ele possuía histórico de doença respiratória crônica.
Com a liberação do comitê técnico, as escolas estaduais localizadas na área de influência do incidente retomam as aulas nesta segunda-feira, assim como o PAC Studio 5, que volta a funcionar normalmente após a suspensão preventiva dos atendimentos.
