Laudo técnico apontou fissuras no tanque por meio de câmera térmica; indústria já soma mais de R$ 22 milhões em autuações e poderá sofrer novas sanções ambientais.

A Prefeitura de Manaus interditou parcialmente, nesta sexta-feira (17), a unidade da Innova no Polo Industrial de Manaus (PIM) após uma inspeção com drones equipados com câmeras térmicas identificar fissuras no tanque onde ocorreu o vazamento de monômero de estireno. O levantamento técnico também confirmou que ainda há emissão do produto químico, mais de um dia após o início da ocorrência. Além da interdição, a empresa recebeu novas penalidades e já acumula mais de R$ 22 milhões em multas aplicadas por órgãos municipais e estaduais.

O incidente teve início no fim da tarde de quarta-feira (15), quando um aumento anormal da temperatura provocou o vazamento de monômero de estireno, composto utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e isopor. A substância é inflamável e, quando inalada, pode causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de sintomas como dor de cabeça, tontura e náuseas.

A decisão de restringir o funcionamento da empresa foi tomada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), com base em parecer técnico elaborado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec). A medida visa garantir a segurança da população e dos trabalhadores enquanto persistirem os riscos na área afetada.

Com a interdição parcial, apenas as equipes responsáveis pelas operações de contenção, monitoramento e eliminação dos riscos podem acessar o local. Segundo a prefeitura, as atividades na área interditada só serão retomadas após a emissão de laudos que atestem a normalização das condições de segurança.

Além das autuações municipais, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma multa de R$ 12,5 milhões à empresa por poluição atmosférica decorrente do vazamento, que provocou desconforto respiratório e forte odor em áreas próximas ao Distrito Industrial.

A penalidade foi fundamentada na Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998), no Decreto Federal nº 6.514/2008 e no Decreto Estadual nº 51.355/2025, que regulamentam infrações e sanções ambientais.

Desde o registro da ocorrência, técnicos do Ipaam acompanham a execução do Plano de Ação de Emergência (PAE) da empresa e fiscalizam as medidas adotadas para controlar o incidente. Embora a indústria possua Licença de Operação válida até outubro de 2026, o órgão ambiental informou que as avaliações continuam para verificar possíveis impactos ao meio ambiente e o cumprimento das condicionantes da licença.

De acordo com o instituto, caso as inspeções apontem novas irregularidades ou danos ambientais, outras medidas administrativas poderão ser adotadas, incluindo a aplicação de novas sanções previstas na legislação vigente.

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