MPAM acusa profissional de homicídio duplamente qualificado, com dolo eventual, e aponta supostas falhas no atendimento realizado no hospital municipal.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) denunciou uma médica do Hospital Regional Municipal de Manicoré por homicídio duplamente qualificado, com dolo eventual, após a morte de uma gestante atendida na unidade em fevereiro de 2026.
Segundo o órgão, a acusação envolve supostas condutas e omissões no atendimento de uma paciente diagnosticada com pré-eclâmpsia.
Paciente foi submetida a cesariana
De acordo com a denúncia, a mulher estava com aproximadamente 38 semanas e cinco dias de gestação quando deu entrada no hospital apresentando contrações.
Após avaliação médica, foi diagnosticada com pré-eclâmpsia e submetida a uma cesariana.
No pós-operatório, a paciente apresentou complicações e evolução clínica desfavorável.
O MPAM afirma que ela precisava de atendimento em uma unidade de maior complexidade, enquanto o hospital municipal não possuía UTI nem estrutura adequada para o quadro apresentado.
Ministério Público cita possível erro com medicamento
Outro ponto destacado pela acusação é a prescrição de um medicamento ao qual a paciente teria alergia.
Segundo a Promotoria de Justiça de Manicoré, essa informação estava registrada na ficha anestésica e nas anotações da equipe de enfermagem.
Para o MPAM, o conjunto de condutas teria exposto a paciente a um risco evitável.
A denúncia sustenta a existência de dolo eventual, tese segundo a qual o agente teria assumido o risco de produzir o resultado. A acusação ainda será analisada pela Justiça.
Investigação começou após relato da família
O caso começou a ser apurado depois que o marido da paciente procurou o Ministério Público.
Segundo o relato apresentado, a família não teria recebido informações adequadas sobre a gravidade do quadro clínico.
Os fatos foram investigados no Inquérito Policial nº 062/2026, instaurado pela 72ª Delegacia Interativa de Polícia.
MPAM pede afastamento cautelar
Além da denúncia criminal, o Ministério Público pediu o afastamento cautelar da médica de suas funções no Hospital Regional de Manicoré durante a instrução do processo.
Também foi solicitada a fixação de um valor mínimo de R$ 100 mil para reparação dos danos morais aos familiares da vítima.
Os pedidos ainda dependem de decisão judicial.
A médica tem direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência até eventual julgamento definitivo.
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